Nós, estudantes da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a mais antiga e tradicional Escola de Engenharias das Américas, somos engrenagens fundamentais na construção de uma universidade crítica,democrática, pública, gratuita, de excelentíssima qualidade, que produza inovações tecnológicas que solucionem os problemas e contradições da sociedade brasileira. 

A Universidade Federal do Rio de Janeiro enfrenta, atualmente, uma estrutural crise de gestão, financiamento e autonomia, uma vez que o Governo Federal prioriza outros setores em detrimento da educação. Por isso, enfrentamos diariamente, reflexos dessa crise como as filas enormes dos poucos bandejões, altas taxas de reprovação em disciplinas do nosso ciclo básico, disciplinas sem correlação prática, pouquíssima oferta de bolsas de assistência estudantil, de vaga ao alojamento, lógica produtivista de pesquisas acadêmicas que levam às salas-de-aula professores desmotivados, imobilidade do transporte público para entrar e sair do Fundão, inexistência de cursos noturnos e de férias, entre outros.

Nós, estudantes, somos peças insubstituíveis para que consigamos avançar e resolver todos os nossos problemas dentro e fora da universidade. Compomos a maior parcela da UFRJ e acreditamos que a saída e superação dessa crise é com uma forte unidade de todos os setores da comunidade acadêmica. Por isso, através do Centro Acadêmico de Engenharia da Escola Politécnica da UFRJ, gostaríamos do compromisso das três chapas organizadas e concorrentes à próxima gestão da Reitoria da Universidade com a resolução dos nossos seguintes problemas.

1. Por um ensino que não estabeleça ligação entre reprovação e qualidade
A universidade é concebida pelo tripé composto por ensino, pesquisa e extensão. Infelizmente, vemos pouca importância para o ensino e a extensão.A graduação é o pilar mais importante de uma universidade e, por isso, o reitordeve dar atenção especial a ela. Segundo a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), na última década, 56% dos estudantes que se matricularam em engenharia abandonaram seus cursos. Por isso, exigimos da próxima reitoria a reestruturação da nossa grade curricular e a utilização da Pró-reitoria de graduação para mediar o diálogo institucional entre o CAEng, a Escola Politécnica e os Institutos de Física (IF) e de Matemática (IM) para mapearmos e resolvermos o problema das reprovações em massa, forte responsável pela evasão nos nossos cursos.

O debate do CAEng sobre o nosso atual modelo de Ensino, realizado no dia 01/04, mostrou que os nossos problemas são estruturais, portanto devem ser tratados de maneira estrutural e institucional pela Reitoria. Alguns problemas como grade curricular, baixa oferta de cursos noturnos e falta de cursos de férias são questões referentes à inviabilidade de separar as carreiras de Professor universitário e de Pesquisador. Essa pauta deve ser inesgotavelmente debatida para que tenhamos profissionais motivados em sala-de-aula e em laboratórios.

Entendemos que a extensão universitária motiva e fortalece o papel do estudante como um futuro profissional preparado para dialogar com os diversos conhecimentos, populares, técnicos, ampliando os laços da sociedade e da universidade. Sabemos as dificuldades que o Projeto MUDA, do SOLTEC, por exemplo, enfrentam para realizarem suas atividades, por isso é papel da Reitoria a valorização da Extensão e da criação de um Conselho de Extensão correlato ao Conselho de Ensino e de Graduação (CEG).
Essas medidas visam ao diálogo e transparência com o corpo discente como um dos pontos principais na gestão e dar maior protagonismo aos estudantes no que diz respeito à graduação.

2 - Por uma assistência estudantil que garanta a nossa permanência
Desde quando começamos o ano, com previsão de corte de R$ 7 bi da Educação, a assistência estudantil tem ficado cada vez mais espremida na UFRJ. Temos passado por cortes nas bolsas, não só a bolsa auxílio e a bolsa auxílio e permanência, como houve uma redução da oferta das bolsas de Iniciação Cientifica, Monitoria e Extensão. Ainda, o valor atual de R$400,00 está congelado há mais de 2 anos. A próxima reitoria dessa universidade deve assumir o compromisso de ampliar a oferta e reajustar o valor da bolsa de acordo com a inflação.

Também deve se comprometer a manter os bandejões funcionando e ampliar a sua capacidade. Por ser um curso integral, muitos de nós temos uma aula que termina 12h e outra que começa às 13h e, atualmente, alunos nessa situação não conseguem almoçar nos bandejões devido ao alto tempo de espera na fila.

Desde a migração do sistema de seleção para o Enem, muitos estudantes vêm de outros Estados sem dinheiro e sem moradia. Na posição de maior universidade federal do Brasil e uma das maiores da américa latina, nós temos um potencial atrativo muito grande, porém a estrutura da residência universitária não acompanha essa demanda. A reitoria deve garantir não só a continuidade do curso de graduação dos alunos, como também que tenham acesso à uma moradia digna. A situação do alojamento é extremamente precária, opera com sua capacidade reduzida e apresenta diversos problemas como infestação de ratos. Essa situaçao nao é de agora e precisa ser resolvida o quanto antes. O reitor deve se comprometer, durante o primeiro ano de seu mandato, a entregar o alojamento e o bandejão do CCMN e concluir as reformas no Alojamento atual, regularizando a situação dos estudantes.

A assistência estudantil é fundamental para uma real democratização da universidade e é essencial acompanhar o aumento da oferta de vagas. Apesar de não pagar mensalidade, o custo de uma faculdade de engenharia é muito alto. Todo o material, livros, xerox, alimentação e passagem tem um custo bastante elevado e, por isso, muita gente depende de bolsas e bandejão para poder se formar. Deve ser compromisso da próxima reitoria a criação de uma Pró-reitoria de Assistência Estudantil para tratar nossa permanência acadêmica com mais atenção e consequência.

2 - Por uma política e logística de mobilidade dentro do Fundão
Estamos cansados da atual situação de mobilidade na Ilha do Fundão. Apesar das inúmeras sugestões do Programa de Engenharia de Transportes da COPPE e de ter havido melhoras depois da obra do BRT, ainda enfrentamos problemas nos ônibus internos, intercampi, para baixada fluminense, como a situação precária da empresa Cruzeiro do Sul, a inexistência de linhas diretas para regiões próximas à Tijuca, e a superlotação da linha 485. Outras sugestões de melhorias como acesso à barca no Fundão são inviáveis pela falta de diálogo da Universidade com a Prefeitura e com o Governo Estadual para pressionar as empresas de ônibus. Sabemos que o problema não é técnico, é político, e exigimos da próxima Reitoria melhor mobilidade urbana para o Fundão, fortalecendo e recuperando o peso político de mobilização que a UFRJ traz em sua história.

4 - Por mais segurança no Fundão
Entendemos que os problemas de segurança relacionados ao nosso Campus se resolveriam se tivéssemos a quantidade necessária de seguranças especializados e treinados para lidar com o público de uma universidade. Por isso, entendemos que é papel da próxima Reitoria, especialmente do próximo Prefeito da Cidade Universitária, pressionar o Governo Federal para a reabertura dos concursos para a Divisão de Segurança da UFRJ (DISEG) ou soluções que garantam segurança autônoma e treinada para nosso campus. Acreditamos que a vida noturna no Fundão deve ser estimulada para que diminuam os casos de violência na UFRJ.

5 - Por uma maior facilidade à realização de estágio
Por vários motivos, os alunos decidem fazer estágio mais cedo no curso de graduação, porém encontram muitas dificuldades para viabilizar essa parte fundamental do processo de aprendizado. Acreditamos que, se há orientaçãoacadêmica e planejamento curricular, é possível flexibilizar regras como ter ciclo básico completo para obtenção do estágio. Portanto, acreditamos que a pro-reitoria de graduação deve estabelecer o diálogo com a Escola Politécnica para possibilitar uma orientação acadêmica que cumpra o papel desde o nosso primeiro período, e, também, que discuta a oferta de cursos noturnos e de férias, medida que facilitaria a realização do estágio sem atraso na formação. 


6 - Pela autonomia da organização dos estudantes
Para conseguirmos nos organizar frente aos nossos problemas e ter papel protagonista nos rumos da Universidade, precisamos fortalecer nossa capacidade de unidade, garantindo a autonomia do nosso Centro Acadêmico em se financiar, em gerir e cuidar das nossas dependências, em representar nossas opiniões mesmo que elas sejam distintas das opiniões da Direção da Poli, da Decania do CT, Reitoria, Prefeitura Universitária, afins.

Exemplos não são poucos da dificuldade da instituição em dialogar com o corpo discente, basta lembrar do fechamento do estacionamento para nós, das mudanças repentinas dos critérios para o Ciências sem Fronteiras, das atitudes autoritárias do atual decano, como por exemplo, de xingar um estudante durante debate, de cobrar aluguel da cantina dos estudantes dentro do CAEng. Há outros problemas que envolvem os estudantes da UFRJ em geral, como a recente história de proibição de bebida alcoólica no campus para os estudantes, porque em posse de dirigentes da nossa universidade vemos até champagne.

Por isso, a autonomia e o diálogo são fundamentais para que a nossa graduação seja a mais confortável possível. Entendemos que é papel da próxima Reitoria estimular, respeitar e dialogar com os estudantes organizados nos Centros Acadêmicos e nas Confrarias Acadêmicas, compreendendo que apenas a nossa própria articulação livre e independente é capaz de nos representar. Também reivindicamos a paridade entre estudantes, técnicos e professores nos colegiados da UFRJ, para democratizar os rumos da universidade com poder de decisão igualitário entre todos os membros da comunidade acadêmica.

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